Conto – A Loba

Antes de tudo: isso não é exatamente um conto, mas sim um pequenino ponto de vista em AU (alternative universe), ou seja, baseado em algo, mas com pequenas mudanças de enredo. Espero que gostem.

Fechei os olhos e inspirei vagarosamente, aproveitando a sensação de frescor e calma que o ar noturno provocava em mim. E então abri meu olhos, de uma vez, encontrando a lua cheia lá no alto, no céu.

-Pronta. -afirmei.

Minha avó sorriu para mim e me estendeu a capa. 

-Não precisa se preocupar. Vai dar certo, você sabe que vai.

Sorri para ela e a abracei. Eu queria mesmo acreditar naquilo, mas no fundo nós duas sabíamos que não era assim tão fácil. A transformação nunca fora algo fácil, muito menos controlá-la, ainda mais nos últimos meses, quando as coisas começaram a ficar mais intensas e fora de controle como antes. Eu me sentia impotente diante daquilo, mas sabia que não poderia me esconder para sempre. Aquela era quem eu realmente era. Humana E loba. Eu era ambas.

Peguei a capa vermelha e sai para fora da lanchonete. Graham me esperava lá fora, encostado despreocupadamente no carro de sherif.

-Tudo certo? -perguntou ao me ver.

Assenti para ele também e contornei o carro, entrando no banco do carona.

Ele apenas entrou e começou a dirigir em direção á floresta. Menos de 10 minutos e já estávamos nos limites da cidade, nas margens das árvores.

Olhei para o céu mais uma vez e então fiz menção de dar um passo em direção á floresta, mas Graham em deteve. Ele segurava meu braço delicadamente, mas seus olhos tinham uma preocupação urgente, a máscara de calma se desfazendo.

-Eu vou estar aqui, você sabe. 

Eu sorri para ele. 

-Só me prometa que não vai hesitar se… Se as coisas… – eu não consegui terminar e nem foi preciso. Ele me puxou para perto e deu um beijo em minha testa.

-Você é forte. Eu sei que você consegue. -ele disse. -Agora vá. Eu vou esperar a noite inteira, não se preocupe.

Respirei fundo mais uma vez, antes de acenar positivamente. E então, com uma confiança que eu mesma havia esquecido, adentrei a floresta, segurando a capa que eu esperava não precisar usar para me deter.

A lua cheia lá em cima já começava a despertar meus instintos dentro de mim. Eu era humana. Eu era a loba.

Só uma faísca

E lá está você: parada; trêmula; gélida até. Suas mãos aprecem feitas de mármore; seus olhos, de vidro; e, se não soubesse melhor, poderia até jurar que há um ciclone em plena formação no seu estômago.

O engraçado é que há apenas um segundo atrás – quando tudo era apenas um roteiro planejado na sua mente- parecia tão mais fácil! Só vá lá e fale, você pensou, não pode ser tão difícil. E, realmente, não seria, se ao menos você se lembrasse de como se executa essa complexa ação de um modo natural e compreensível.

Afinal de contas, o que foi que aconteceu? Para onde foi toda aquela coragem súbita e excitante que você tinha certeza de ter?

Bem, a questão não é exatamente onde, mas sim como ela está. Porque toda aquela massa sólida e palpável de bravura que te preenchia acabou por transformar-se subitamente em nada mais do que… Pólvora. E como se já não bastasse isso, ela ainda se retraiu bem para o fundo, o mais longe que pôde, deixando apenas um rastro fino e tão tênue que você tem dificuldades de enxergar ou realmente acreditar que está mesmo ali.

Mas é essa a boa notícia: o traço está ali.

Agora está tudo mais difícil, delicado e demorado. Mas não acabado. Na verdade, está ainda mais fácil do que antes porque você precisa de muito menos para que funcione

Uma faísca. Só uma. Umazinha, por mais fraca que seja. Você só precisa disso. Só precisa decidir que quer usar aquela pólvora, aquela coragem, e dar o primeiro passo. Qual é, você consegue. Uma palavrinha só. Abra a boca, tente, não pode ser tão difícil, certo? Você fez isso a vida toda, sempre adorou falar e soube exatamente o que dizer para os outros. Vamos lá, faça isso só mais uma vez.

E então, acontece. Você recupera o controle da sua língua e consciência e emite um som natural e compreensível. Nem sabe ao certo o que disse, mas parece ter funcionado. Aos poucos volta a sentir suas mãos, percebe que pode piscar e mesmo mexer os olhos e, aparentemente, aquele tornado era só um alarme falso. Não há mais suor frio, tremulação ou inércia.

Você percebe – um pouco surpresa, até- que fez de novo: agora sua boca parece trabalhar automaticamente, falando ainda mais palavras e elas começam pouco a pouco a fazer sentido. Seu roteiro tão bem planejado não está saindo exatamente como você imaginou, mas assim parece funcionar também. Porque você precisava dizer, não importa como. Você precisava fazer algo; precisava ao menos tentar. É isso que você está fazendo. E isso a faz se sentir bem.

Enquanto isso, a pólvora do barril da coragem continua a queimar, mesmo que lentamente. Alimentada por aquela única e quase imperceptível faísca que você decidiu lançar.

O arrependimento é um monstro sorrateiro

Quem nunca se arrependeu de algo na vida que atire a primeira pedra. Seja por ter feito algo que não deveria ou simplesmente não ter feito algo, o que é até pior, todos já cometemos erros e todos gostaríamos de ter nossas “três chances de mudar o passado”, como Lynda Waterhouse diza em um de seus livros.

Quando percebemos que erramos, nosso primeiro impulso é dizer á nós mesmos para nos preparar melhor da próxima vez, para sempre pensar bem e com cautela e só depois agir. Mesmo assim, decisões equivocadas e apressadas sempre são tomadas novamente e só nos damos conta de que poderíamos ter dito algo melhor ou não feito tal coisa quando a chance de consertar já passou há um bom tempo.

“O que a gente faz então, Gabi?  Vive a vida como se não houvesse amanhã ou não faz mais nada?”. Se alguém me perguntasse isso eu responderia: nenhum dos dois. Ambas as formas de pensar focam-se no presente e é exatamente aí que está o erro. Se o arrependimento é um sentimento que pertence ao futuro de um ato passado, por que raios nos preocupar com o presente? Por que pensar com cautela no que você fará naquele momento sendo que o presente dura por apenas um segundo depois de ser futuro e antes de se tornar passado?

Presente é, como todos sabem, o nosso agora, mas também o único dos três tempos que não é permanente, diferente do passado e futuro. Então, é com eles que temos que nos preocupar ao tomar uma decisão pensando assim: quando esse momento passar, eu vou querer voltar atrás e mudá-lo? Vou ficar remoendo isso no meu futuro e querer poder ter feito diferente?

Garanto á vocês que o pior arrependimento vem daquilo que não dizemos ou fazemos, mas não significa que o arrependimento por fazer ou dizer algo não incomode.

Quando estamos frente á uma decisão incomum uma decisão sobre algo importante, devemos nos preocupar em como aquilo afetara nosso futuro e se gostaríamos de a manter permanentemente em nosso passado. Se houver divergências, sente-se e pense de novo, porque provavelmente não você ainda precisa encontrar o caminho certo.

Sendo assim, ei uma pequena lista de meus arrependimentos, só por esse ano:

Participar da viagem do cursinho para o vestibular;

Não ter ido á Feira do Livro ver o Pedro Bandeira;

Ter gasto dinheiro demais na cantina;

Não ter malhado ou lido ou mesmo escrito mais;

Não ter comprado nada para mim na ultima ida ao shopping

E aqui uma pequena lista das coisas que não vou me arrepender por fazer ou deixar de fazer, também por esse ano:

Ir á Bienal do Livro;

Não ir aos churrascos do cursinho;

Comprar um telescópio;

Não comprar um celular novo;

Não aceitar a proposta de publicação de um poema numa antologia.

E aí? Alguém arrependido e determinado a diminuir esse sentimento?

 

Fim do primeiro semestre: Pós e contras até agora.

Gente, o tempo passou voando! Mesmo sendo um baita clichê, não deixa de ser verdade.

Consigo me lembrar perfeitamente da virada do ano e principalmente da criação do primeiro post do blog, achando que teria tempo de sobra para cumprir minhas metas e quando vejo…. Já estamos em julho!

Okay, chega de papo furado e vamos logo ao que interessa: como pessoa muito sistemática que sou (para certas coisas), decidi fazer um balanço de como o ano vem sendo para mim; sobre como as coisas foram nessa primeira metade, o que mudar, o que deixar como está e por aí vai.

Então, começando pelas metas:

  • Conhecer pessoas novas: Meta mais do que cumprida! Conheci uma multidão de pessoas novas no cursinho, na internet, até na cidade e o melhor: pessoas que valem a pena se conhecer, pessoas para se manter;
  • Parar de ser tão preguiçosa: Parcialmente cumprida, digamos. Meu quarto anda super organizado, assim como o guarda-roupas e as gavetas. A estante então nem se fala. Mas e a coragem para malhar? Fazer o serviço primeiro e me jogar no sofá depois?
  • Terminar meu livro: Não cumprida, nem tão evoluida e, honestamente? Começando a desacreditar se um dia vou mesmo cumprir.
  • Tentar coisas novas: Outra meta super cumprida. Só esse ano foram quatro viagens para outras cidades, só para me divertir, as saias longas entraram de vez para o meu guarda-roupas e eu até comecei a gostar um pouco do meu cabelo mais curto e de cantorias espontâneas (e até indevidas) no meio da sala de aula.
  • Ser mais paciente: Parcialmente cumprida. Digamos que eu tento sair da ansiedade, mas a ansiedade não sai de mim.
  • Ser menos egoísta: Também parcialmente cumprida. Consigo até não brigar por comerem meus doces ou não ter espaço no sofá. Mas ainda temos um longo caminho até o “eu” chegar á uma frequência razoável no meu vocabulário.
  • Ler mais livros, escrever mais: Essa meta começou super bem, tanto que até li uma trilogia em quatro dias, enchi várias páginas do meu caderninho com escritos, mas agora… Não sei o que aconteceu. Tenho que retomar o antigo ritmo.
  • Ser mais corajosa: Cumprida. Me arriscar em viagens de fim se semana sozinha e expressar mais minha opinião mesmo que eu a ache ridícula são provas disso.
  • Voltar para a igreja: Não cumprida e sem previsão.
  • Me cuidar mais:  Super cumprida! Adivinhem quem voltou a usar cera quente para a depilação, tirar sobrancelhas com mais frequência e até pintar as unhas?
  • Parar de me preocupar tanto: Não acredito que algum dia cumprirei essa, mas vou continuar tentando.
  • Me preparar e correr atrás do que eu quero: Também começou á todo o vapor e agora diminuiu. Esperemos que continue quando as aulas voltarem.
  • Manter um blog: Bem, minha meta pessoal era atualizar o blog pelo menos uma vez por semana, mas mesmo assim, não o abandonei por completo, então… Parcialmente cumprida?

 

Bem, aparentemente as coisas estão indo mais para bem do que para mal. Uma das vantagens de se fazer um balanço periódico é isso: ter ideia da situação como um todo, poder analisar o que precisa desesperadamente de melhora ou o que está se saindo melhor que a encomenda.

Mais alguém por aí querendo aproveitar esse meio de ano para reavaliar a situação e arrasar no segundo semestre? Vamos lá gente, porque ainda dá tempo 😉

Era uma vez um felizes para sempre – Amor

Bem, este tópico é válido para praticamente toda estória existente, sendo conto de fadas ou não, porém, no caso particular dos contos, creio ser um dos pontos mais importantes para seu sucesso.

O amor é algo presente em toda estória pois é um sentimento “tudo em um”: ao mesmo tempo que motiva alguém,dá esperanças, coragem, alimenta sonhos, promove a aceitação de si mesmo ou de outros e tem uma magia única. Ou seja, quase todos os tópicos reunidos em apenas um.

Além de tudo, a busca do amor pelo ser humano é conhecida há tempos. Nós perseguimos o amor como se nossa sobrevivência dependesse disso, como se fosse o maior tesouro do mundo e, na verdade, é exatamente o que o amor é. Mas, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas o amor romântico que é indispensável, e sim qualquer forma de amor: amor fraterno, amor entre amigos e, para alguns, até o amor material. Toda forma de amor é importante e inspiradora por si só, dando sentido á nossa vida e, caso não haja amor nenhum, nos deixando no fundo do poço.

as condições do amor mudam de acordo com a personalidade e a necessidade de cada um, mas o fascínio pelo sentimento universal é sempre o mesmo, sempre único.

Era uma vez um felizes para sempre – Magia

Quando paramos para pensar no mundo em que vivemos, analisando toda a dor, sofrimento, desespero, fracasso e ódio que nos cercam, começamos a desacreditar nas coisas boas que também estão presentes em nossa vida.

Além disso, há vezes em que apenas esperança não é o suficiente para manter nossa mente sã e focada. E é quando precisamos da magia.

Acreditar em magia renova nossa esperança de que as coisas deem certo, nos dá um motivo para levantar da cama todos os dias sabendo que, apesar de tudo, pode sim valer á pena  viver, nos faz ter coragem e vontade de correr atrás do que queremos e, geralmente, de realizar nossos sonhos, porque magia nos faz crer que tudo é possível.

A magia dos contos de fadas nada mais é do que a religião, em nosso mundo real. Acreditar em um Deus nos dá esperança e, através de nossas orações e demonstrações de devoção, recebemos nossos milagres.

Era uma vez um felizes para sempre – Perseverança

Uma lição valiosa que nossos protagonistas nos passam através de sua narrativa é a persistência.

Nós desistimos muito fácil. Ao primeiro sinal de dificuldade perdemos a esperança, ficamos desanimados e pessimistas, sem conseguir ou querer levantar e tentar de novo. Vivendo em um mundo como o nosso é comum passarmos por vários momentos em que queremos jogar tudo para o alto e desistir.

Mas, nos contos de fadas, há sempre o momento onde tudo dá errado (geralmente a cena clichê com música triste e chuva, com tudo mundo triste) e vemos que é normal pensarmos em desistir, pois mesmo as personagens, com toda a sua magia, passam por esse momento de pessimismo. Mas, ao contrário do que fazemos, elas se erguem e tentam novamente pois, mesmo sem esperança ainda há fé, ainda há força de vontade para que elas resistam aos tempos, pois tem certeza de que a tempestade não durará para sempre eo sol chegará (nos contos, literalmente)